ACONTECEU | 13 de Maio — Abolição da Escravatura no Brasil
Por Oeste Notícia e Região
13 de Maio NÃO é apenas uma data no calendário.
É memória, resistência, cultura e luta viva.
O IFSP São Roque convida toda a comunidade para uma noite de reflexão, ancestralidade e fortalecimento coletivo.
13 de Maio | Abolição da Escravatura no Brasil
Além das apresentações culturais, o evento promoveu mesas redondas e debates sobre educação antirracista, juventudes negras, políticas públicas e transformação social.
O evento contou ainda com a presença do corpo discente dos alunos de Psicologia, da Secretaria Municipal das Mulheres, da Neurodiversidade e Direitos Humanos, além da participação de Solange Aroeira e da tricampeã mundial de diálogo Dilma Mendes, enriquecendo ainda mais os debates e trocas de experiências.
Também estiveram presentes mestres, pesquisadores, lideranças políticas e representantes de movimentos sociais, fortalecendo o compromisso coletivo com a luta antirracista, a valorização da cultura afro-brasileira e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Foi uma noite marcada pela troca de saberes, pela valorização da ancestralidade e pelo fortalecimento da luta por liberdade, respeito e igualdade racial.
Porque liberdade não foi presente.
Foi conquista. E continua sendo construída todos os dias.
CARTA MANIFESTO: PELA EQUIDADE
A quem possa interessar, agir e intervir.
Hoje é 13 de maio. Para a história oficial, um dia de celebração. Para nós, um dia de denúncia e de profunda reflexão técnica. O que assinaram em 1888 foi uma "Falsa Abolição" Libertou-se o corpo, mas aprisionou-se o futuro, negando ao povo preto o chão, o pão e o direito de ser arquiteto da sua própria história.
Falo a vocês não apenas como advogada, mas como mulher preta, presidenta de comissões e conselhos. Mas, acima de tudo, falo como alguém que vive o racismo estrutural todos os dias — aquele que opera silencioso nos bastidores da suposta liberdade e que só finge desaparecer quando há um terceiro observando.
Minha fala hoje não é apenas um grito de militância, mas um posicionamento técnico. A reparação histórica que o Brasil nos deve não é um favor; é um imperativo jurídico e moral.
Mas essa responsabilidade não pode recair apenas sobre nossos ombros. Ela é dividida.
O letramento racial deve começar aqui, nas diretrizes de base da educação.
É preciso coragem para mudar a narrativa: nós não somos descendentes de escravos; somos descendentes de seres humanos que foram escravizados. Essa mudança de verbo retira a condição de objeto e devolve a nossa humanidade. Não estamos aqui para pedir permissão ao 'senhorio' moderno. Não aceitaremos o papel de capatazes de um sistema que nos quer dependentes.
Somos detentores de liberdade, amparados pelos princípios fundamentais da nossa Constituição.
Contudo, a igualdade formal — aquela que diz que 'todos são iguais perante a lei' — muitas vezes é o freio que nos impede de avançar.
Pois uma lei que trata como iguais aqueles que a história feriu de forma desigual, acaba por excluir.
O que buscamos é a Equidade : o exercício técnico de tratar os iguais em suas igualdades, mas, acima de tudo, os diferentes na medida de suas diferenças históricas.
Senhores, o letramento racial de base é a única ferramenta capaz de garantir que o jovem preto cresça consciente de sua soberania, e não buscando autorização para existir.
Dra Vanessa Emanuela Rodrigues.